Sergio Blog 2.4
Um espaço pessoal de documentação...
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Cada vez mais me convenço que aprender é mais importante que ensinar, nas nossas escolas! E não vai aqui nenhuma arrogância nisto!
Quando digo que aprender é mais importante que ensinar (na escola), não estou dizendo que devemos parar de ensinar! Esta é uma interpretação tola.

Créditos da Charge: Bichinhos de Jardim
Estou dizendo que no processo de aprendizagem-ensino (não ensino-aprendizagem, pra ser bem Foucaultiano) o foco deve estar naquele que está aprendendo. No que ele precisa aprender, com base em seus gostos e aptidões. Nem todos precisam saber a transposta de uma matriz! Nem todos precisam saber orações coordenadas assindéticas ou transformações adiabáticas e todos os demais "enciclopedismos" dos nossos currículos escolares!
Obviamente que conciliar o que os alunos deveriam aprender com uma educação de massa, eficiente e de qualidade é o nosso grande desafio (educadores, gestores e acadêmicos).
Há algumas sugestões óbvias e ululantes! Diminuir a relação número de alunos para cada professor. Esta sugestão óbvia me ficou mais clara quando na palestra do Prof. Thadeu Penna no dia Debian de 2009 ele citou o fato (careço de dados) de que a educação fundamental e a pós-graduação não são os problemas no Brasil.
O gargalo da nossa educacão está no segundo segmento do fundamental (antigo ginásio ou 5o a 8o séries do primeiro grau) e no ensino médio (antigo 2o grau).
Nestes dois segmentos é onde o professor atende a um número enorme de alunos, numa "educação" em ritmo de "fábrica". Quase sempre numa lógica de horas de aulas, que faz com que a maior parte desses professores trabalhem em várias escolas e não vivenciem, intensamente, nenhuma delas!
(...)
Mas, você leitor, já deve está se perguntando porque estou pensando escrevendo sobre isto agora? Por dois motivos: 1) Este é o "demônio" que me assombra ultimamente! 2) as evidências experimentais parecem corroborar minha hipótese de que ensino não deve se sobrepor a aprendizagens :-)
E como apontado (link) na matéria acima, um dos subprodutos da ênfase no ensino, mais nocivos a aprendizagem nas Escolas, é a paranóia por avaliações padronizadas, notas e rankings!
Taí a nota do ENEM, que por questões estatísticas básicas, não deveria ser tomada como ranking de qualidade de educação (ou ensino) e é "macaqueada" aos quatro ventos por escolas e gestores educacionais!
(...)
Eu tenho três filhas que aprendem de modo, tempos e ritmos diferentes! Por isto quando vou estudar matemática com uma faço de modo diferente do modo que faço com as outras!
Por que com os meus 160 alunos (sim eu sou um professor de ensino básico felizardo, muitos dos meus colegas atendem a 400 ou mais alunos) eu devo pressupor que todos devem aprender do mesmo modo, no mesmo tempo e as mesmas (muitas) coisas?
Será que um aluno que não consegue aplicar o princípio da inércia numa situação cotidiana estaria menos preparado para a vida cidadã ou para o mundo do trabalho?
E para complicar, como mensurar a qualidade da educação que estamos praticando nas nossas escolas se os alunos pudessem flexibilizar os seus próprios currículos?
A única conclusão, provisória, que chego é que em tempos de abundância de informação, compartilhamento e colaboração ainda ensinamos e avaliamos como se estivéssemos na Era Industrial!
[Atualização]
As conversações me levaram a revisitar o excelente texto do Prof. Novelino: Ensinar não é crime. Leitura obrigatória! E engraçado que relendo o texto agora, com um certo distanciamento da primeira leitura, fiquei mais ainda convencido dos argumentos do Prof. Novelino. Legal isto!
Vale muito a pena, também, ler este relato sobre "ensino"!
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| Imprimir artigo | Esta entrada foi publicado por Sergio Lima, em 04-08-10 , às 11:12:34 . Acompanhe as conversações para esta entrada via RSS 2.0. |
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04-08-10 @ 12:11:45
Belo texto ...
Acredito que o maior problema de todos é a ausência de fundamentar o "por que" das coisas. Afinal, copiamos modelos educacionais que originam-se na escola dos "porques" (as academias de Platão).
O problema é que em um certo ponto o pensar ficou menos importando do que o conhecer, o que é diferente de saber. E os modelos foram introduzidos para permitir que milhões aprendessem, adaptando da "melhor forma conhecida" (diferente de "melhor forma possível") aquilo que outrora era as Academias para uma dezena de pessoas.
E então houve o tal momento que "conhecer" tornou-se mais importante do que "pensar" ... "quase" que dizendo: "adestrar é melhor que educar".
Ficou pior quando deixaram de querer evoluir os modelos, que apesar de tudo são necessários, achando que melhor conhecido é o melhor possível. Dizendo: o que dá certo em um lugar tem que dar certo em todos os lugares da mesma forma...
Triste, mas acredito de forma bem esperançosa de que um dia isso evolui (por definição, para algo melhor), porque tudo evolui e isso não será exceção. Discutir isso, por si mesmo, é uma evolução.
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Acho que vivemos tempos difíceis para se ter esperança por evoluções. Ou melhor, as condições para se pensar/implementar as mudanças não parecem favoráveis.
A excessiva fragmentação do conhecimento e o modo como a produção acadêmica se organizou (no Brasil) fazem com que estas questões não sejam discutidas com um olhar no todo! (Há muita pressão para se publicar papers e pouco para se pesquisar (http://zapt.in/Mjs)!
Eu acredito que escolas confessionais (estilo escola da ponte) ou pequenas experiências "fora da caixa" podem apontar para um novo modelo de educação para as massas adequado aos tempos atuais.
Mas você tocou num ponto que é chave. É possível criar um ambiente de conhecer/pensar/saber/aprender/ensinar com grandes grupos (ordens maiores que dezenas de pessoas)?
Eu hoje apostaria num currículo mínimo para todos (30% do nosso currículo atual) e grupos (pequenos) de interesses organizados para aprender com orientação de professores. Mas algo mais flexível que permitisse que um jovem pudesse experimentar o conhecimento e áreas antes de se decidir por uma...
Mas é só uma tempestade de ideias :-)
abs
04-08-10 @ 13:38:01
Bem, eu não li todo o conteúdo do link que colocou no comentário, mas posso afirmar que "publish or perish" (título do texto em questão) é literal ! Acredite, no EUA (na verdade, na maior parte do mundo) é ainda pior que no Brasil.
Enfim, eu sou um pouco mais otimista que você quanto a evolução, mas vale lembrar que nenhuma evolução ocorre em uma geração. Ser otimista quanto a evolução não significa ter esperança de que ela vai acontecer no ano que vêm. É necessário que os alunos de hoje sejam os professores perto da aposentadoria de amanhã para que as idéias de vanguarda de hoje sejam as idéias conservadoras do amanhã e a aí a evolução já vai ter acontecido, embora vá ter pessoas escrevendo justamente o contrário nesse futuro.
O sistema ideal de hoje é aplicado com pelo menos uma geração de atraso, quando não mais ! Leva vantagem as escolas/professores que souberem aproveitar o momento para usar o esquema certo no momento certo, sem descuidar das necessidades de mercado do hoje. Bem, para dizer a verdade quem leva vantagem são os alunos que estiverem sobre os cuidados dessa escola e/ou professores
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O texto do link vale a pena ser lido... com calma :-)
Você tem razão, talvez a minha geração não vivencie a mudança/evolução... mas ela terá que ocorrer, nem que seja via uma ruptura!
abs
05-08-10 @ 01:18:28
Sérgio, não entendi a tua referência acima a Michel Foucault "Estou dizendo que no processo de aprendizagem-ensino (não ensino-aprendizagem, pra ser bem Foucaultiano)". A qual das ideias de Foucault você está se referindo?
Para assinantes do UOL/FSP, o endereço do artigo de Renato Mezan: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs0905201004.htm.
O que a Diane Ravitch está dizendo agora, enunciado como uma autocrítica, adquire uma significação especial. http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100802/not_imp589143,0.php
Abraços.
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Opa Slomp,
Na faculdade, minha professora de Filosofia da Educação, vivia falando dos "bens simbólicos" e atribuia o conceito a Foucault.
Então usar "aprendizagem-ensino" no lugar do usual "ensino-aprendizagem" é para reforçar, também no campo simbólico, que acho que aprendizagem deve se priorizada em detrimento do ensino.
Eu sei que os dois não podem estar completamente separados, mas isto já é outra história! E sei também dos que entendem isto como um "esvaziamento" do papel do professor. Não enxergo assim...
Tem um texto no blogue do Prof. Novelino, em que há uma discussão bem legal sobre este tema (ensino x aprendizagem):
http://jarbas.wordpress.com/2009/01/08/ensinar-nao-e-crime/
Vale ler o texto e os comentários!
Mas seria legal ouvir o ponto de vista de quem discute estes conceitos mais intensamente e há mais tempo.
abraços
05-08-10 @ 20:15:27
gostaria de saber se posso receber em meu amail estes textos.
obrigada
Maria alves
16-08-10 @ 17:23:21
Oi Sérgio
Acabei de ler um texto sobre um cara chamado Lindeman, que em 1926 dizia, sobre a educação de adultos: "Na educação de adultos o currículo é construído em torno das necessidades e interesses dos alunos". Já naquela época o cara falava em aprendiz ativo, valorização da experiência, aprendizagem continuada... e coisas como "O ensino autoritário, exames que boicotam idéias originais, fórmulas pedagógicas rígidas - nada disso tem lugar na educação de adultos..."
Bem, e em que isto se relaciona com seu post, se Lindeman não falava de educação de crianças ou adolescentes?
É que com o tempo, o que ele falava para adultos parece cada vez mais próprio para outras etapas do desenvolvimento humano.
E o mais incoerente disto, é que as escolas públicas para EA ainda se organizam sem considerar aquelas considerações de 1926...
Para mim a pergunta que instiga é: por que as escolas organizadas para a era industrial (e seus modos de ensinar) ainda sobrevivem?
06-09-10 @ 15:53:12
Alô Sérgio,
Estou apenas de passagem, num intervalo de trabalho (preciso terminar um texto bastante gordo até amanhã).
Já tinha visto este teu post. Legal que você continua a conversação que inciamos tempos atrás. Acho que ela não acaba. O tema merece esclarecimentos. As crenças escolanovistas que jogam o ensino pela janela fazem muito mal para a educação e não promovem aprendizagem. Por isso, é preciso botar muitos pingos nos is sobre a matéria.
Qualquer dia destes volto com mais tempo e emendo um papo com o necessário vagar.
Abraço,
Jarbas
Tou contigo na onda vermelha. Eu andava, aliás, mais vermelho, entusiamado com a insistência socialista do amigo (Plínio) de um querido amigo meu morto pela ditadura. Mas, acho que ele propõe um sonho que não tem chances imediatas. Além disso, a direita está feroz e busca de todas as forma desqualificar a Dilma. Por isso estou resolvido: deixo o Plínio para apoiar um sonho que pode se concretizar de imediato.
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OLá Prof. Jarbas,
É sempre bom tê-lo por aqui, enriquecendo o debate e ponderando com sabedoria sobre o tema. Como já tinha dito, revisitando seus argumentos fico sempre mais convencido que não é o caso de satanizar o ensino :-)
E muito bom saber que compartilhamos da mesma visão sobre o melhor para o futuro do Brasil :-)
abração
20-09-10 @ 20:36:34
É realmente um grande desafio o ato de ensinar o que realmente é de mais importante e ultil para o dia a dia dos nossos alunos, ao mesmo tempo é imprescindivel.
27-09-10 @ 11:00:57
Olá, muito instrutivo seu site, parabéns! Gostei por estar muito bem focado em educação.
Como ele é bem direcionado, tenho uma oferta, que penso possa ser muito produtiva e rentável para você.
Acha possível vender cursos, através do seu site, cursos bem baratos (á partir de R$ 20,00) com certificado e ganhar boas comissões ?
Hoje já tenho sites como o seu, que no primeiro mês já receberam mais de R$ 500,00.
Tudo o que estou dizendo, tenho comprovação no meu site e se começar hoje te proporcionamos um bônus de R$ 10,00 se tiver interesse viste: http://vendacursosonline.blogspot.com/
Abraço.
Bruno
05-10-10 @ 10:09:56
Concordo com você no que se refere a super lotação nas salas de aulas e por mais que lutemos não conseguimos mudar esses quadro. Nossos alunos precisam de mais atenção para podermos observar o ritmo de aprendizagem deles, estariam mais próximos de nós.
18-10-10 @ 16:58:40
Eu também fiquei muito feliz por ter entrado no teu blog! além do texto ser bem escrito, articulado e sucinto, os comentários também acrescentam bastante!
como futura professora, sempre me pergunto o que fazer com as diferentes interpretações, leituras e visões de mundo que cada um dos nossos alunos possui, e que são tão desvalorizadas em uma sala de aula!
abraços
24-12-10 @ 16:24:06
Realmente o ato de ensinar é muito complicado, mas ao mesmo tempo muito interessante, pois podemos estar em contato com diversas situações inusitadas, constrangedoras. Temos que estar atentos se o que estamos ensinando aos nossos alunos são realmente conceitos importantes para sua formação cidadã.
03-01-11 @ 14:26:15
Concordo com a sua ideia, caro colega!!! Descobri este site através de uma colega que comigo faz especialização em Mídias na educação (UESB) e uma das atividades de nosso curso é pesquisar blogs diversos (de preferência educativos) e sobre eles tecer comentários no fórum do moodle. É incrível como através das experiências de outros adquirimos conhecimentos afins. Achei fascinante a sua discussão acerca da aprendizagem e concordo que nossa preocupação deve se centrar muito mais em aprender do que em ensinar. É uma pena que ainda sejamos obrigados a mensurar os conhecimentos construídos por nossos alunos de modo quantitativo e ainda acreditemos que todos os conteúdos curriculares veiculados pela escola são pertinentes e indispensáveis ao desenvolvimento de nosso educandos. Parabéns por sua ideia e que possamos renovar a prática educativa a partir de nossa própria prática docente. E que tenhamos forças para lutar por um processo educativo melhor, que considere mais as experiências de nossos alunos como relevantes. Que Deus te abençoe!!!
Grande abraço!!!