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5 "traduções" porcas que eu simplesmente detesto
Ok, traduções porcas pode parecer excessivamente agressivo, mas pelo menos eu consegui chamar a sua atenção :-)
Introdução
Abaixo eu discuto as 5 "traduções" (algumas todas são, na verdade, aportuguesamentos) que são tomadas como padrão em localização de softwares e aplicativos que eu (que não sou nenhum especialista em língua portuguesa) acho horríveis.
Para cada um dos termos eu aponto os vocábulos que uso quando sou eu que vou escrever ou traduzir o termo.
O meu critério é bem simples, se existe o vocábulo em português e cujo sentido é o mesmo do termo a ser traduzido é sempre ele que vou usar.
Neologismos só fazem sentido se o vocábulo não existe previamente em português, como por exemplo "blogue" que é o aportuguesamento de blog. Uma discussão (antiga) sobre este critério de acessibilidade linguística pode ser conferido aqui.
As traduções
"To Post" traduzido como "Postar/Postagem" - Aqui eu penso que se trata mais de um caso de aportuguesamento e não da tradução do verbo "post", no contexto em que ele aparece. Usa-se o termo post em blogues e aplicativos web onde se publica algo (texto, imagem, vídeo, etc).
Se você consultar qualquer dicionário de língua portuguesa (Michaellis ou Aurelio por exemplo) você verá que o verbo "postar" não tem o sentido de se publicar algo (como é o caso de aplicativos web): "v.t. Colocar num posto, num lugar. / Pôr no correio. / v.pr. Pôr-se, colocar-se".
Pior é que ainda inventaram (ok, existe no Michaellis) o termo "postagem" que é feio de doer.
Quando você escreve um texto num blogue, rede social ou micro-blogue ou ainda quando dispõe um vídeo ou foto numa ferramenta web (flickr, youtube, vimeo, etc) você está publicando. Veja o que nos diz o dicionário:
"pu.bli.car
(lat publicare) vtd 1 Afixar ou apregoar em lugares públicos; levar ao conhecimento público; tornar público e notório: Publicar uma lei, uma sentença. vtd 2 Imprimir para a venda; editar: Publicar uma revista, um livro. vtd 3 Assoalhar, divulgar, espalhar: Publicar os defeitos de alguém. vpr 4 Proclamar-se: Publicara-se por autor de uma obra realizada por outrem."Por isto *eu* sempre vou traduzir "Post in bla bla bla" por "Publicar no bla bla bla" e "A post in my bla bla bla" por "Um texto/foto/vídeo/entrada no meu bla bla bla"
- "Del" por "Deletar" - Aqui é outro exemplo de aportuguesamento por pura submissão cultural ou preguiça intelectual. Existe em português o verbo apagar e desfazer. Logo "Del the last post in blog" será sempre traduzido, *por mim*, como "Apagar a última entrada no blogue"!
- "Logging" por "Logar" - Aqui é outro exemplo de aportuguesamento por submissão cultural ou preguiça intelectual. Aqui eu acho que é mais por preguiça de pensar do que por submissão cultural. Existe em português o verbo autenticar [O J.F.Mitre acrescenta que na verdade logging deveria ser traduzido por "Autenticar a identidade 'em'"] que tem o sentido estrito de "logging in". Logo "Logging in system" será sempre traduzido, *por mim*, como "Autenticando no sistema"!
"to Link" por "Linkar" - Nossa, acabei de descobrir que não temos nenhuma tradução neste texto. Somente aportuguesamentos por hábito dos usuários. Em hipertextos o link sempre aponta para outro texto ou outra parte do texto. Se existe o verbo apontar e ligar só posso concluir que "linkar" é uma opção pela submissão cultural!
E por favor, não me venham com o "mimimi" de que estou sendo xenófobo! Eu simplesmente não abro mão de pensar em português!
"to scanner" por "Escanear" - Quando precisamos transformar um documento/foto/etc num arquivo digital nós estamos digitalizando o artefato.
O dispositivo conhecido como "scanner" simplesmente digitaliza fotos ou documentos, logo "escanear", [na minha opinião, é um termo
usado por colonizados[O J.F.Mitre cortou meu barato informando que escanear já existe nos nossos dicionários].Eu sempre vou preferir "digitalizar" (em detrimento do escanear que existe!) meus documentos por uma opção explícita de acessibilidade linguística!,
Comentário Final
Eu, de forma alguma, estou dizendo que estas são as traduções mais corretas! Estou apenas dizendo que, se eu tiver que traduzir estes termos, usarei aquelas opções.
Uma vantagem adicional de se usar softwares de código aberto é que você sempre poderá compilar as suas próprias traduções, com base nos seus gostos pessoais.
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4 comentários
Ainda que no caso de "deletar" exista uma sugestão por parte dos dicionários para usar o apagar. Mas no caso de "escanear" a coisa fica feita, pois é o ato de usar uma "escaneadora". Doí o ouvido, mas é português oficial hoje em dia !
Pode consultar os dois dicionários que citou no começo.
A questão da origem da palavra, para mim não conta. Nosso idioma, tem radicais no latim, grego (compõem o francês, espanhol e português), inglês, idiomas africanos e indígenas e sabe-se Deus o que mais!
Portanto, para não usar uma palavra por conta da origem eu teria que remover quase todo o dicionário ...
Bem diferente, por exemplo, é download. Palavra em inglês que não foi adotada pelo nosso idioma mas que é largamente adotada (por mim inclusive), mesmo existe o termo "baixar o arquivo" que substitui perfeitamente o termo estrangeiro.
Por outro lado, realmente post para postar é realmente de doer o ouvido.
Ah! Não falo nada sobre o "linkar", não tinha pensado nisso ainda, mas "logar", embora ainda não tenha sido adotada como palavra do nosso idioma, deveria ter sido !!! Faz falta, porque não é apenas autenticar, é "Autenticar a identidade 'em' um sistema operacional ou serviço de internet"
As palavras que usamos hoje, no passado, também pareciam completamente fora de contexto, como ficaria o "logar", mas é assim que se forma idiomas e, principalmente, se modifica idiomas. A solução (?) seria criar um termo para cada palavra nova criada no mundo devido a uma nova ação que existe agora e não existia antes no momento que a ação passasse a existir ! Já que isso não é feito ....
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Opa Mitre,
Eu tenho que reconhecer que os seus argumentos são matadores... como eu disse, é muito mais uma questão de gosto pessoal mesmo.
Eu não tenho xenofobia, sei das várias influências que qualquer língua sofre e não seria diferente com o português.
Mas, (coisa de quem tá ficando velho) vou sempre preferir usar aportuguesamentos somente quando não existir previamente um vocábulo com o mesmo sentido.
Vou adicionar o complemento do autenticar (com os devidos créditos).
abs
Eu "linko", "downloado", "scaneio", "posto", deleto, da mesma forma que como sushi (do japonês), passo por Blitz (do alemão), entro na garage(m) (do francês), adoro almofadas (do árabe), jogo voleibol (do inglês) e me chamo Tatiane (do Russo).
Você prefere fazer um picnic ou um convescote?
Beijinhos
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Opa Tati,
A idade vai nos deixando mais ranzinzas :-)
E eu aprecio as interações entre as línguas, elas são legais quando não existem ainda os termos, como por exemplo: açúcar, alface, voleibol, futebol, blogues, etc...
Só vejo problema quando apesar de existir o vocábulo equivalente se prefere um aportuguesamento, ao menos pra mim, meio sem lógica. O post é o caso mais explícito.
Mas, como eu disse, não considero que deva haver um absolutismo nisto... Para isto as línguas admitem os sinônimos... e sempre poderemos usar, para a mesma situação, palavras distintas (por afeição mesmo a elas) e sem perda do sentido geral da frase.
Eu jamais vou fazer a grosseria de "corrigir" alguém por usar um termo que eu acho horrível :-) Quando eu puder escrever e/ou traduzir, uso os que eu gosto.
Na tradução do B2evolution, como era uma tradução coletiva eu mantive o "postar" que foi o termo que venceu... mas na minha instalação eu compilo para o termo que gosto :-)
E viva as diferenças :-)
PS: Legal saber que Tatiana vem do Russo! E eu nunca tinha ouvido falar de convescote :-)
Beijinhos (TM Tati)
Acho que em última análise isso reforça a hegemonia estadunidense e confesso que isso me incomoda bastante. Procuro não ser radical até pq não há muito o que fazer contra uma massa de gente falando "errado". Mas gosto de filosofar a respeito e na medida do possível lembrar de não usar palavras como as que mencionou no post, digo texto. rs.
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Opa Wladimir,
eh eh... há sim uma excessiva utilização de estrangeirismo desnecessários.
Mas podemos sempre filosofar um pouco sobre eles, nos nossos blogues ou fora deles :-)
abs
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Você e 99% dos falantes de língua portuguesa! Eu inclusive.
abs
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Sérgio Lima é Prof. de Física no ensino médio, geek nas poucas horas vagas que tem e autor deste texto. Gostou? Que tal assinar o feed para não perder mais nenhum! É de graça!






