Sergio Blog 2.4
Um espaço pessoal de documentação...
Um espaço pessoal de documentação...
...ou porque eu não tenho nenhuma fé na chamada grande imprensa!
Três jornalistas (com minúsculas mesmo!) daquele panfleto (veja) são chamados para depor na polícia federal, na presença dos seus advogados e da procuradora Elizabeth Mitiko Kobayashi. Poderiam, se desejassem, usar os mecanismos legais para não comparecer (...)
Após o depoimento, criam o factóide de que foram constrangidos e blá blá blá... Até aí, nenhuma novidade! É o padrão veja de qualidade/inverdades!
[Nota jurídica]Estou opinando sobre um veículo de imprensa. Até onde sei, a Constituição Federal me permite, vejamos:
"TÍTULO II
Dos Direitos e Garantias Fundamentais
I
Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos
(...)"[/nota jurídica]
Daí um monte de jornalistas (incluindo-se aqui alguns bons Jornalistas!) começam a gritar, histericamente, que estamos sob uma ditadura, sob o fim da liberdade de imprensa e outras bobagens do tipo!
Paralalelamente o Professor Emir Sader foi condenado, em primeira instância, entre outras coisas, a perder o seu emprego(conquistado por concurso público de provas e títulos) de professor da UERJ, pelo juiz Rodrigo César Muller Valente (?) (é bom dar o nome do santo nestes casos!):
Paradoxalmente, não há nenhuma grita da imprensa em favor da liberdade de expressão e/ou sobre este absurdo!
Então, ser constitucionalmente chamado para depor, na presença de um procurador e de advogados é "cercear a liberdade de imprensa", mas ser condenado a perder o cargo de professor por escrever um artigo contra um Senador (que Graças a Deus está indo pra casa no final do ano e que fique os próximos 30 anos por lá!) que usou pública e notoriamente expressões racistas, é um fato normal!
Entre os bons jornalistas que deram "piti" em relação ao factóide da veja estão o ótimo Alon (http://blogdoalon.blogspot.com/2006/10/inaceitvel-3110.html) e o Dimenstein...
E não sou só eu que fiquei indignado com este absurdo... Alguns Intelectuais fizeram um manifesto de apoio ao Emir Sader, que reproduzo na íntegra abaixo:
A sentença do juiz Rodrigo César Muller Valente, da 11ª Vara Criminal de São Paulo, que condena o professor Emir Sader por injúria no processo movido pelo senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), é um despropósito: transforma o agressor em vítima e o defensor dos agredidos em réu.
O senador moveu processo judicial por injúria, calúnia e difamação em virtude de artigo publicado no site Carta Maior (http://cartamaior.uol.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=2171), no qual Emir Sader reagiu às declarações em que Bornhausen se referiu ao PT como uma "raça que deve ficar extinta por 30 anos". Na sua sentença, o juiz condena o sociólogo "à pena de um ano de detenção, em regime inicial aberto, substituída (...) por pena restritiva de direitos, consistente em prestação de serviços à comunidade ou entidade pública, pelo mesmo prazo de um ano, em jornadas semanais não inferiores a oito horas, a ser individualizada em posterior fase de execução". O juiz ainda determina: “(...) considerando que o querelante valeu-se da condição de professor de universidade pública deste Estado para praticar o crime, como expressamente faz constar no texto publicado, inequivocamente violou dever para com a Administração Pública, motivo pelo qual aplico como efeito secundário da sentença a perda do cargo ou função pública e determino a comunicação ao respectivo órgão público em que estiver lotado e condenado, ao trânsito em julgado”.
Numa total inversão de valores, o que se quer com uma condenação como essa é impedir o direito de livre-expressão, numa ação que visa intimidar e criminalizar o pensamento crítico. É também uma ameaça à autonomia universitária, que assegura que essa instituição é um espaço público de livre pensamento. Ao impor a pena de prisão e a perda do emprego conquistado por concurso público, é um recado a todos os que não se silenciam diante das injustiças.
Nós, abaixo-assinados, manifestamos nosso mais veemente repúdio.
(Os que desejarem assinar, favor enviar e-mail para solidariedadeaemirsader@hotmail.com).
Antonio Candido
Flávio Aguiar
Francisco Alambert
Sandra Guardini Vasconcelos
Nelson Schapochnik
Gilberto Maringoni
Ivana Jinkings
Eu já assinei o manifesto e você, concorda com este absurdo? Se não, não deixe de assinar o manifesto!
Do Edgy Eft
| Imprimir artigo | Esta entrada foi publicado por Sergio Lima, em 04-11-06 , às 03:34:58 . Acompanhe as conversações para esta entrada via RSS 2.0. |
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06-11-06 @ 15:16:01
Olá!
Eu tomei a liberdade de escrever aqui, mesmo sabendo que penso diferentemente do autor do artigo. Não são dois pesos e duas medidas, como quer fazer crer o título. São dois casos distintos e com particularidades óbvias. Eu acho que é importante colar o texto que o Professor Emir Sader escreveu a respeito do Bornhausen. Ele fez ofensas realmente graves. Não só ao senador, como também ao povo do estado que este representa. Sem sombra de dúvidas, se alguém ler o texto de Sader, perceberá que seu texto é muito mais racista que o do senador. Eu insisto que se leia o texto do professor. Também é importante lembrar que ele usou em sua assinatura a prerrogativa de professor, e como tal, colocou sua posição de professor em risco ao escrever um texto tão agressivo. Não sou simpático ao Bornhausen, porém, Sader - não é de hoje - tem demonstrado uma falta de inteligência constante, talvez motivado por suas paixões políticas. Leia o primeiro texto.
Os repórteres da Veja foram constrangidos em seu "depoimento". Não que sejam santos, mas isso não vem ao caso. O delegado, com passado de ligação com o petismo, só evidenciou o desconforto do partido situacionista com a pluralidade da imprensa. Ao contrário deste caso, o de Sader transitou pela justiça, e cabe recurso da decisão.
Abraço!
06-11-06 @ 15:32:56
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Olá Eduardo!
Primeiro de tudo, sinta-se a vontade para discordar! É na diferença e na discussão madura e respeitosa de idéias que avançamos!
Segundo, ainda que o texto do Emir Sader tenha "ofensas graves", ele não usou a prerrogativa de professor para fazê-lo! Isso é bastante óbvio! Ele usou a prerrogativa de colunista de um veículo de imprensa/opinião!
Retirar o seu cargo de professor é, no mínimo, uma medida desproporcional!
Eu tenho esperença que a Justiça brasileira seja mais "justa" nas instâncias superiores!
Qual foi o constrangimento sofrido pelos jornalistas? Segundo a nota oficial e pública da Promotora que acompanhou os depoimentos, tudo correu dentro da normalidade!
Sobre o título desta entrada, é verdade que são dois casos distintos, mas a questão é que nos dois casos o "cerceamento de opinião" foi tratado de modo diferente pelos "defensores da liberdade de imprensa/opinião".
No mais, obrigado pela visita e sobretudo por compartilhar conosco a sua opinião!
[]'s
Sérgio F. Lima